quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Não à Amputação do Choupal

Não sei se os conimbricenses já se aperceberam mas está em contagem decrescente a sua oportunidade de se pronunciarem contra um atentado à sua cidade.


Até 10 de Novembro está em consulta pública o processo de avaliação de impacte ambiental do novo IC2.



Até aqui talvez alguns já soubessem. Agora quem sabe que o traçado em avaliação prevê uma nova ponte sobre o Rio Mondego? Em cima da Mata do Choupal? Isso já é provável que seja menos conhecido. Até porque na única notícia publicada na cidade ´sobre o assunto (no Diário de Coimbra) era referido que o novo IC2 passava «nas proximidades» do Choupal. Nas proximidades?! Em cima! melhor dito.



E porque é que não se fala deste assunto? Porque parece haver um manto de silêncio sobre este atentado que vai destruir mais uma parte do Choupal, afastá-lo da Cidade, e torná-lo menos apetecível? Quem fizer uma busca simples na internet verifica a quantidadede notícias sobre reclamações pontuais ao traçado do IC2 na Trofa, em Águeda, em Avelãs-de-Cima, etc. etc.. Em Coimbra? Nada.


Será que Coimbra tem tantos espaços verdes que possa assim dispensar o Choupal como coisa de somenos? Será que a cidade não viu já suficientes atentados ao património na sua História recente?


Esta travessia irá constituir mais um desbaste e amputação da Mata Nacional do Choupal, indelével, pensava-se, património cultural, social, ambiental, paisagístico e histórico não apenas da cidade de Coimbra mas de todo o país.


A ponte em causa, além de destruir a vegetação da área directamente afectada, irá constituir um imenso factor de perturbação e poluição, sonora, atmosférica e visual, inutilizando a área a este da ponte do Caminho de Ferro. Esta é a área primordial de ligação pedonal e ciclável da mata à cidade. mais longe e isolada vai ficar a Mata Nacional do Choupal, menos qualidade de vida e de usufruto vão ter os que a demandam. Pelos visto para se ir praticar desporto terá mesmo que se ir de carro!

O ruído vai aumentar imenso na zona, e levar mais para o coração da mata os pontos de origem. Aumentará igualmente a poluição atmosférica. Realmente a ponta Este da Mata Nacional do Choupal vai-se tornar uma terra de ninguém! Porque ninguém que ouça, veja ou, no mínimo, respire, quererá ser apanhada entre duas autoestradas numa zona que pretende ser espaço verde (é-o a nível do PDM) e Mata Nacional de Regime Florestal Total (já houve tempo em que isto queria dizer algo).

São mais de 4 hectares de Mata que ficam inutilizados. São mais de 300 metros que a mata recua. São 700 metros de caminhos na mata que ficam sob o efeito da autoestrada.

Por outro lado, tendo em atenção as dimensões previstas da nova ponte, mais larga e mais alta que a Ponte-Açude irá aumentar drasticamente a barreira visual entre a mata e a cidade. Acabará a nobre vista que quem se desloca de comboio actualmente desfruta da cidade. Este é um património intangível que, em países com orgulho do seu grau civilizacional, é preservado e valorizado, não liminarmente ignorado.


E tudo isto para quê? Para que quem vem do sul e vá para norte não tenha que passar na actual Ponte-Açude. Não serve o tráfego local. Logo poderia perfeitamente ser afastada de Coimbra. Para quê vir aumentar a perturbação de modo drástico?

Atendendo ao grau de desenvolvimento da engenharia portuguesa esperar-se-ia mais algum engenho na adopção de uma opção de travessia. Esta é uma solução preguiçosa, prepotente e desrespeitosa. É uma solução atamancada, que serve mal quem deveria servir melhor e que causa impactos dramáticos localmente.

Deve ser rejeitada e procurada uma verdadeira alternativa que não comprometa o desenvolvimento futuro e a qualidade de vida, presente e futura.

Deve ser dado parecer negativo à travessia do Rio Mondego com afectação da Mata Nacional do Choupal e da Cidade de Coimbra.

Podemos, pelo menos, não nos conformar. Participe! Escreva, antes de 10 de Novembro, ao Director da Agência Portuguesa do Ambiente dando conta da sua oposição a esta má solução.

6 comentários:

João disse...

Pelo que eu vejo o traçado vai reduzir numa pequena parte o choupal entre a ponte de caminhos de ferro e a actual ponte açude! Penso que se vai ganhar muito em segurança rodoviária porque as ctuais curvas para entrar e sair da ponte açude são um verdadeiro atentado. Acho mais importante pensar em revitalizar o choupal e dar condições de segurança e lazer para as pessoas poderem usufruir mais deste espaço do que preservar mais meia dúzia de metros (nem que para isso seja necessário prolongar a mata para outro lado)

Anônimo disse...

Caro João,
Comparando é uma pequena parte do choupal, o Choupal tem 79 Hectares, portanto falamos de pouco mais de CINCO por cento. Pode nem ser muito significativo.
Prolongar para o outro lado?
Prolongar como? fazer uma Mata não é plantar árvores e já está daí a dois, ou dez, ou vinte, ou mesmo trinta anos.
Não é como construir uma estrada.
E para outro lado qual lado? Já viu que o Choupal está actualmente limitado pelo canal de rega, o resto são terrenos privados. Seria interessante, mas não me parece muito viável.
Para além que se mantêm as questões levantadas: Choupal mais longe da cidade, mais ruído no Choupal!

As curvas, lindas não há dúvida, da Ponte-Açude ir-se-ão manter para o trânsito urbano.

Construir estrada é mais fácil, célere e barato que construir mata. Então que tal poupar a Mata que existe e construir estrada noutro lado que não a Mata? Porque a opção que dá seria destruir mata, construir estrada, construir mata…
António

Jonhny disse...

Não posso deixar de fazer um comentário. O tema é interessante e polémico. A construção da nova ponte vai criar viadutos novos sobre a mata do Choupal que vão deixar uma pequeníssima parte da mata separada da restante, mas também é preciso ter em conta que a construção desta ponte, implica a destruição da antiga e dos viadutos que lhe dão acesso.
Desta forma o espaço libertado poderá ser alvo duma intervenção urbanística, podendo-se prolongar esta parte da mata, em jardim, claro, até à baixa ou até ao jardim que se encontra lá do lado. A entrada na mata pode desta forma ficar facilitada, melhorada! A mata chega ao limite urbano da Baixa podendo até a mancha verde introduzir-se no meio urbano quando a intervenção do metro e o projecto entre estações ficar pronto.
A divisão que se vai criar, uma vez que será realizada em forma de viadutos, permite a fácil ligação das duas partes, tal como acontece com a linha de comboio, que apesar de dividir a mata, torna-se num obstáculo menor para quem usa a mata.

Miguel disse...

Caros amigos,

Fico triste quando penso que o meu filho pequenino, se calhar já não vai conhecer a Coimbra do Avô dele, uma Coimbra verde e com um ar que se respirava. Não, graças a pessoas como o nosso amigo João, o meu filho vai conhecer uma Coimbra cinzenta, sem qualidade de vida, cheia de carros e apitadelas e claro.... sem o CHOUPAL. Sim porque o Choupal é só mais um empecilho ao propalado progresso e curvas largas que dizem "eles" é para nosso bem, pergunto ao Amigo João se custuma ir ao Choupal, de certeza que não. Já agora pq não fazer um viaduto ali pelo meio do Botânico, de certeza que ia dar um jeitão ao pessoal que vai do ibis para os arcos, e..., claro sem curvas.

Coimbrão Irritado disse...

Penso que há muita malta falha de

atenção ou de entendimento do que

estão a ler.

A construção deste viaduto não

substitui, repito, não substitui a

ponte açude.

Vai-se mais um pedaço do Choupal,

sim eu sei que é só um pedacinho,

mas esse é que é o fulcro da

questão, cada vez que amputaram

um pedaço ,sempre argumentaram

que era só um bocadinho -resultado

em 35 anos a Mata Nacional do

Coupal perdeu cerca de 50% da sua

área -se não acreditam consultem

cartas topograficas dos anos 40/50

e comparem.

Vai-se então mais um pedaço da

Mata, mas em compensação vamos ter

um viaduto uma dezena de metros

mais alto do que a ponte açude.

Ponte esta que óbviamente se vai

manter.

A questão que se levanta é a de

que se não haveria um traçado

alternativo? -se calhar até havia!

Viva_a_História disse...

Houve um arquitecto que apresentou uma alternativa à passagem do IC2 na cidade de Coimbra. Essa proposta foi adoptada pelo Bloco de Esquerda. Em linhas gerais baseia-se no seguinte: sobrepor o troço do futuro IC3 entre Condeixa e Coimbra (IP3) ao IC2 e assim ficaria a passar mais próximo de Miranda do Corvo indo ter a Coimbra através de uma ponte a ser construída a montante da Portela, indo fazer ligação à Circular Externa e depois até ao actual IP3. Julgo que esta seria uma proposta que melhor salvaguardaria a qualidade de vida na cidade e que não seria prejudicial em termos de capacidade de escoamento do trânsito caso o tal IC2-IC3 fosse construído com 3 vias em cada sentido.
Infelizmente já se está a fazer o troço do IC2 entre a Cruz dos Morouços e Santa Clara.